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Artigo

É da Natureza que dependemos

Diana Tereso Ferreira

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29/06/2026

Devíamos estar todos a falar sobre gestão de resíduos. Reformulo: devíamos estar todos a gerir corretamente os resíduos que produzimos. Sabias que os aterros em Portugal estão a 14% do seu limite? No Algarve, os aterros existentes deverão atingir a sua capacidade de saturação em 2028 – isto é já daqui a 2 anos! E mais de metade do lixo produzido em Portugal ainda vai para estes locais.

O setor citrícola algarvio tem feito um trabalho importante e consistente ao longo dos últimos anos: o principal resíduo que produzimos é resíduo orgânico, ou seja, fruta em decomposição. São cerca de 11.500 toneladas anuais deste resíduo que transformamos em recurso ao utilizá-lo da melhor forma possível:

  • os resíduos orgânicos que são produzidos nas explorações agrícolas são incorporados, como matéria orgânica, no solo - é o caso das lenhas das podas que são destroçadas, ou da fruta podre que cai ao chão;
  • já os que são resultantes da operação das centrais de embalamento podem ter dois destinos principais: produção de biogás ou produção de composto orgânico. No último ano, os associados da AlgarOrange têm contado com a URSA (EDIA) para reencaminhamento destes resíduos, uma vez que no Algarve não temos qualquer solução disponível desde Junho de 2025.

Adicionalmente, na Frutas Tereso temos vindo a desenvolver o nosso Dossiê Ambiental e temos, neste momento, uma taxa de reciclagem próxima de 100%, o que muito nos orgulha. Para isso, contamos com a nossa equipa que tem vindo a ser capacitada para identificar corretamente o destino de cada resíduo e com as recolhas semanais de plástico e de cartão/papel da ALGAR.

Ter participado na Sessão de Trabalho do CCMAR - Universidade do Algarve há algumas semanas atrás foi importante, não só para validar o caminho que temos vindo a fazer, mas também para perceber que os vários setores económicos algarvios têm muita vontade em colaborar para dar resposta às várias necessidades existentes, nomeadamente:

  • temos que prover o Algarve de um conjunto maior de soluções para a gestão de resíduos – tendo em consideração o seu posicionamento e experiência, a ALGAR, em conjunto com a CCDR Algarve, deve liderar este processo; da parte da agricultura, a partir da FEDAGRI, pedimos à CCDR Algarve que a revisão do PROTAL considere um enquadramento mais claro e adequado para a instalação de infraestruturas de apoio à gestão de resíduos agrícolas e biorresíduos em contexto de exploração agrícola ou em soluções de proximidade territorial;
  • apesar de sabermos que os resíduos orgânicos produzidos pelo setor em que trabalho são recursos que podem ser melhor rentabilizados, é necessário que a legislação traduza esta realidade - APA e Ministério do Ambiente para quando o alargamento da definição de recurso estratégico atribuído ao bagaço de azeitona para outros resíduos orgânicos?
  • a entrada no mercado de créditos de carbono e o funcionamento do mesmo tem que ser mais fácil – estamos a perder demasiadas oportunidades de utilizar o papel fundamental das nossas árvores na retenção de carbono.

Os desafios estão identificados por todos e as soluções também. As consequências ambientais da má gestão de resíduos (poluição, emissão de gases com efeito estufa) e os benefícios da reciclagem e da compostagem são claros. Os agricultores algarvios continuarão de mangas arregaçadas a trabalhar para assegurar a sustentabilidade do setor e, por consequência, a sustentabilidade ambiental, porque, afinal, é da Natureza que dependemos.